sexta-feira, 1 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 1

Dia 1 – sexta-feira

Os exageros no jantar de ontem quase me fizeram vomitar durante a noite. Não vomitei, mas como tenho uma pele da treta, tudo (mas mesmo TUDO) o que me acontece, revela-se na pele.
Durante o dia, surgem-me umas borbulhinhas no peito, daquelas estilo reacção alérgica.
“Fuck...”, penso, “estar na praia com uma alergia na pele não tem graça nenhuma...”

Decido não ir à praia, tive um dia agitado q.b. e estou com preguiça.

À noite, sento-me ao computador, comichosa, mas sem sinais de febre nem nada demais.

A comichão faz-me coçar a pele, numas borbulhitas entre o mamilo direito e a axila.

“Qu’é esta merda?...”, penso, intrigada e desconfiada.

Sinto um caroço no peito.
Apalpo-o, mas não é impressão.
Está lá, um caroço, uma coisa qualquer arredondada e dura, no meu seio direito.

Fico apreensiva.
Poderá ser um gânglio, claro, resultante de uma qualquer reacção à alergia.
Poderá não ser.

Vagueio pela net à procura de mapas de gânglios e referências aos mesmos.
Desabafo a minha apreensão apenas com uma amiga, na net.
Não vou falar nisto com quase ninguém enquanto não souber o que é, para ninguém sofrer por antecipação.

Não entro em pânico, mas também não desdenho a importância do mesmo.
O meu avô paterno morreu de cancro no estômago, a minha tia Zi, de cancro nos intestinos, e a minha irmã mais velha, teve um sinal que se alterou e foi descoberto mesmo a tempo, antes de se tornar maligno.

Penso na parte prática das coisas: não estou na minha terra, não tenho o médico de família por perto, não vou ao hospital sem saber se isto incha ou desincha.

Chamo-me “estúpida” 500 mil vezes, porque tenho ido todos os anos à ginecologista e no ano passado, não fui.
Porque não tive oportunidade, porque não tinha tempo, e o tempo foi passando...
Tenho um esquema de palpação das mamas na casa-de-banho e nunca o fiz, todo direitinho...
E estou aqui, 2 anos depois da última visita à médica, a pensar em como sou estúpida, com um caroço no peito.


Os próximos dias, vão ser um exercício de paciência.
A paciência NÃO É a minha melhor virtude...

Ver se se altera, ver se passa.
Não me deixar dominar pelo medo.

Mas sinto um aperto no coração, um aperto que “fecho” para não o deixar ser grande demais.
O que quer que seja, será diagnosticado e será devidamente tratado.

Porque sou teimosa, e aflige-me mais “não saber” do que “saber e ir à luta”.

Antes de deitar, após todas as navegações pela net, após “fechar o medo” para não o deixar ser um monstro, sinto uma quebra no ânimo, sinto-me pequenina e frágil, e uma vontade enorme de mimo.

Sinto a ausência Dele, a quase um país de distância.
Mas não deixo transparecê-lo, e envio-Lhe uma sms com mimo, a desejar-Lhe boa noite, não revelando que algo se passa comigo.

Basta uma pessoa a sofrer por antecipação e nem a isso me permito.

1 comentário:

  1. No que toca a questões dessas em particular já sabes que eu sofro por antecipação por ti, por mim e por quem a apanhar...

    Acho que algures numa vida passada devo ter tido um problema nas ditas... só pode :s

    Beijo doce

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Sopra no vento o que pensas, sentes ou sonhas... Que o vento trará até ao alto da minha árvore as tuas palavras...

Obrigada...