quarta-feira, 6 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 6

Dia 6 – Quarta feira


É hoje que vou embora.
Sozinha, num carro sem AC (e com um calor terrível) nem rádio...
Vai ser uma aventura!

Falo com algumas pessoas pelo caminho, mas vou a maior parte do tempo em silêncio, a morrer de calor.
E a apreciar o belíssimo Alentejo, a apreciar as pequenas grandes coisas...
O céu, as pastagens, os animais...

Após umas horas de viagem (recusei ir pela Autoestrada porque simplesmente acho mais entediante), chego.

Falei com Ele pelo caminho, e combinámos o encontro de amanhã.
Receio o que o meu médico me diga, receio que não possa ir ter com Ele amanhã.
E continuo sem querer dizer-Lhe o que se passa. Nem a Ele, nem a mais ninguém.

Chego ao parque de estacionamento ao pé do consultório, e aviso o meu irmão que ainda devo demorar uns 10 minutos, mas que já cheguei.
Mas havia gente e demoro quase uma hora e meia até ser atendida.

O meu médico escuta-me, conversamos e depois, faz-me a palpação.
Acabamos por baptizar o nódulo de “berlinde”, porque a sensação é que é redondinho, liso e move-se por baixo da pele.
O meu médico diz que não lhe parece ser nada maligno, mas vamos fazer uns exames: mamografia e ecografia mamária.

Pondero a situação. Amanhã é feriado e haverá quem faça ponte.
Preciso de ir ao Centro de Saúde para ter as credenciais, mas aquilo deve estar a “meio gás”.
Como ele se reformou, já não tenho médico de família atribuído, e preciso de uma consulta de recurso, mas farei os exames mesmo que tenha de os pagar integralmente.

Amanhã vou estar com Ele. E não quero deixar de estar com Ele.

Decidimos que, na sexta-feira, ligo a marcar os exames. E na próxima semana, tento ir ao Centro de Saúde.

Despeço-me do meu médico, que me acalma e diz para não me preocupar, que vai correr tudo bem e que duvida que seja algo maligno.

Chego a casa com lágrimas nos olhos, e o meu irmão repara mas apenas pergunta, discreto: “Estás bem?”. Não respondo directamente e peço-lhe desculpa pelo atraso.

Ao jantarmos, sinto-me melhor e rimos e conversamos.

Não estou propriamente descansada, nem assustada, apenas com a noção de que ainda não está tudo resolvido e ainda tenho que esperar mais.

O Exercício de Paciência continua.

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