domingo, 31 de julho de 2011

Depressão ou Distracção?



Não estás deprimido, estás distraído, distraído em relação à vida que te preenche. Distraído em relação à vida que te rodeia: golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.

Não caias no que caiu o teu irmão que sofre por um único ser humano, quando no mundo existem 5,6 milhões.
Além de tudo, não é assim tão mau viver sozinho.
Eu vivo bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer e, graças à solidão, conheço-me, o que é algo fundamental para viver.

Não caias no que caiu o teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria aos noventa. Só para citar dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído, por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado.
Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não podes ser dono de nada.
Além disso, a vida não te tira coisas, a vida liberta-te de coisas.
Alivia-te para que voes mais alto, para que alcances a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola, por isso, o que chamas de problemas são lições.
Não perdeste nada, aquele que morre simplesmente está adiantado em relação a nós, porque para lá vamos todos. Além disso, o melhor dele, o amor, segue no teu coração.

Quem poderia dizer que Jesus está morto?
Não existe a morte: existe mudança.
E do outro lado, esperam-te pessoas maravilhosas: Gandhi, Michelangelo, Whitman, São Agostinho, a Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditavam que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro distrai-nos com demasiadas coisas, e magoa-nos, porque nos torna desconfiados.

Faz apenas o que amas e serás feliz e aquele que faz o que ama, está abençoadamente condenado ao êxito, que chegará quando deve chegar, porque o que deve ser, será, e chegará naturalmente.

Não faças nada por obrigação nem por compromisso, apenas por amor.
Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível.
E sem esforço, porque és movido pela força natural da vida, a que me levantou quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.

Deus tornou-te responsável por um ser humano, e és tu mesmo.
A ti deves fazer-te livre e feliz, depois poderás compartilhar a verdadeira vida com todos os outros.
Lembra-te de Jesus: "Amarás o próximo como a ti mesmo".
Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que estás a ver, é uma obra de Deus; e decide agora mesmo ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, e sim um dever, porque se não fores feliz, estarás a amargurar todos os que te amam.
Um único homem que não possuiu nem talento nem valor para viver, mandou matar seis milhões de irmãos judeus.

Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.
Temos para apreciar a neve no Inverno e as flores na Primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman, as músicas de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven, as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.

E se estás com cancro ou SIDA, podem acontecer duas coisas, e as duas são boas; se a doença ganha, liberta-te do corpo que está tão doente: tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas...
E se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido, portanto, facilmente feliz. Livre do tremendo peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente... Como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado.
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança será sócia do teu filho.
Ajuda os velhos e os jovens ajudar-te-ão quando também o fores.
Aliás, o serviço é uma felicidade segura, como apreciar a natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
Dá, sem medida, e te darão, sem medida.
Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda, converte-te no próprio Amor.

E não te deixes confundir por uns poucos homicidas e suicidas.
O Bem é maioria, porém, não se nota porque é silencioso. Uma bomba faz mais barulho que uma carícia, porém, por cada bomba que destrói, há milhões de carícias que alimentam a vida.
Vale a pena, certo?

Se Deus possuísse um frigorífico, teria a tua foto colada nele.
Se Ele possuísse uma carteira, a tua foto estaria dentro dela.
Ele envia-te flores em cada Primavera.
Ele envia-te um amanhecer em cada manhã.
Cada vez que desejas falar, Ele escuta-te.
Ele poderia viver em qualquer ponto do Universo, porém, escolheu o teu coração. Admite, amigo, Ele está louco por ti!

Deus não te prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva, porém prometeu forças para cada dia, consolo para as lágrimas e luz para o caminho.

Quando a vida te apresentar mil razões para chorar, mostra-lhe que tens mil e uma razões para sorrir.

Não, não estás deprimido, estás distraído!...

(Tradução livre do texto de Facundo Cabral, falecido a 09 de Julho de 2011, vítima de atentado, na Guatemala.)

Porque também é bom...

... para a Alma ver que há coisas positivas neste mundo, às vezes tão cinzento e desmotivador:

"Todos os dias há acontecimentos positivos em Portugal e no mundo que devem ser destacados: essa é a função do Boasnoticias.pt."

Aqui: http://www.boasnoticias.pt/

Da l'Italia, con amore - 3

Em relação à comida, tinhamos meia pensão no sítio onde estavamos, e era lá que jantávamos sempre, excepto na noite do regresso.

Tenho a dizer que, ao pequeno-almoço, havia compotas, mel, um creme de chocolate tipo nutella, manteiga simples, uns queijos que achei desenxabidos e um presunto divinal, assim como mortadela e fiambre, que não como por hábito e por isso, não provei.
Em compensação aos queijos desenxabidos, os pães eram muito saborosos, alguns com sementes de funcho e papoila, ou com diversos cereais.
Tínhamos águas, sumos, leite, café e chá para beber.
Em relação aos sumos, havia muito sumo de uva, numa região com muita vinha, e perguntei-me porque raio não encontramos sumos de uva no nosso Portugalinho, numa altura em que as adegas estão em crise avançada, para não dizer que muitas delas estão moribundas, e era uma forma de escoar a produção.
Senti falta de iogurtes e fruta ao pequeno-almoço.

Ao jantar, o 1º prato era uma massa com qualquer coisa à base de tomate, o 2º prato era "básico" (uma carne, um arroz ou umas batatas e uma amostra de legumes) e para sobremesa é que tinhamos os iogurtes e as frutas, além de gelado (bons, os gelados).
Senti falta de legumes, saladas e sopas.

As fotos são dos almoços, onde posso dizer que comemos bem, sendo o 1º numa estação de serviço e antes de perceber que il primi era o 1º prato, em vez de sopa. :P

O último jantar, foi desenrascado no MacDonalds de Milão.
Digamos que a comida era a do costume, mas apesar do sítio ser numa zona bonita, a nossa ASAE fecharia aquilo porque as condições de limpeza deixavam muito a desejar.

Ainda acerca de comida: trouxe de lá 2 livrinhos de culinária da região... :)

Ah!...: Incrivelmente, não comi uma única pizza... :P




sexta-feira, 29 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 15

Dia 29 – Sexta-feira.

É incrível que já ande há um mês nisto...
E tomo consciência que vou ter de andar sempre nisto, sempre em vigilância.
Sempre.

O sítio da punção, ao fim de 10 dias, ainda me dói um bocadinho.
Só quando toco, menos mal.

Hoje, recebo as análises.
Abro o envelope, e...
Suspiro de alívio perante os resultados: benigno.

Agora só falta o resultado do exame citológico do colo do útero, o chamado teste de Papanicolau.

Tenho de aguardar mais um pouco...
Tenho de ter paciência mais um pouco...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 14

Dia 20 – Quarta-feira

Tenho consulta de ginecologia. Ainda não a fizera, e quero ver se tudo o resto está bem.

Mostro os exames à médica e conversamos um pouco.
Ela diz-me que, se eu pretender engravidar, deverei tirar o fibroadenoma maior.
Devido a ser de origem hormonal, e porque a gravidez é uma abundância de hormonas descontroladas. Que, em caso de gravidez, pode degenerar em maligno.

E conta-me que dum caso duma rapariga a quem tiveram de fazer uma cesariana às 35 semanas, para tirarem o bebé e logo a seguir procederam a uma mastectomia, devido a um fibroadenoma que degenerou.

A história não me deixa lá muito sossegada: segundo o que lera, o fibroadenoma não degenera...
Fico a pensar nessas coisas, mas também tenho consciência que cada caso é um caso.

Ao fazer-me a palpação, ela pergunta-me se eu quero que ela me faça uma punção, para certificar que tipo de células estão ali.
Sei bem o que é uma punção, embora nunca tenha feito nenhuma.

Ela vê o meu olhar de dúvida e diz-me:
“Não dói muito...”

Pois, mas espetarem-me o “berlinde” não há-de ser indolor...
Deixo de me armar em mariquinhas e decido que é melhor aproveitar a oportunidade.
Ela lá me espeta a agulha e tira-me uma amostra do “berlinde”.

Nos entretantos, diz-me que, se eu decidir tirar o fibroadenoma, que costuma ser com anestesia geral.
A ideia não me agrada, confesso.
Será que não conseguem fazer apenas com anestesia parcial?

Bem, seja como for, a punção dói-me um bocadinho, mas assim já fica feita.

De resto, a consulta não revela nada de mais, e agora tenho de aguardar os resultados dos exames.

Mais um pouco de paciência...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Da l'Italia, con amore - 2

Tive o prazer de ficar hospedada em Bolzano.

Bolzano-Bozen é uma cidade curiosa.
Com influências alemãs e italianas, Bolzano tem uma "atmosfera" limpa, e não me refiro apenas à qualidade do ar.
Tanto o ar, como a água que se bebe em bebedouros públicos, são bons; não se vê lixo nem caganitas de cão no chão, nem graffitis nas paredes, anda-se muito de bicicleta e as pessoas são cordiais.
Todas as placas de trânsito a indicar direcções estão escritas em italiano e alemão, os edifícios estão cuidados e têm pinturas nas fachadas também mantidas em bom estado.
Anda-se bem à noite, sem nos sentirmos inseguros nem vigiados.

Pelo que vi nalguns postais, a cidade de Bolzano tanto merece ser vista nesta altura como no Inverno, onde a neve e os enfeites de Natal fazem dela uma cidade ainda mais encantadora.

Recomendo a quem quiser viajar e...
Gostaria de voltar lá, sem dúvida!...

Aqui vos deixo algumas fotografias. :)

















segunda-feira, 18 de julho de 2011

Da l'Italia, con amore - 1

Recentemente, tive a oportunidade de ir a Itália, a trabalho.


Com sorte, deu para um pouco de lazer, e pude admirar algumas obras naturais e outras humanas, do norte de Itália.

Uma das obras naturais que me deixou fascinada foi o Lago di Garda.

É um lago enorme, nalguns lados nem se vê o fim, e a sensação que me deu é que tinha águas muito limpinhas.

Vi gente a fazer praia e diversos desportos náuticos, e a parte urbanizada envolvente tinha edifícios bem bonitos e, creio, alguns cuja estadia seria bem cara. ;)

Mas...

Se tiverem oportiunidade, ide lá.
É um local encantador.
As montanhas, a água, as casas, tudo...

Deixo-vos algumas fotos do local. :)

























quarta-feira, 13 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 13

Dia 13 – Quarta-feira



Hoje é o meu último dia de férias.
Começo a preparar algumas coisas para a minha partida, até à hora de ir ao médico.

Dou um pulo ao consultório e mostro-lhe os exames.
Falamos sobre eles e mantém-se o que já me tinham dito, e o que tinha lido.
Além disso, pergunto se há algum problema em engravidar, ou em amamentar.
Não há.

Decidimos que, daqui a 3 meses, vou de novo fazer a palpação, e se dermos conta de alguma alteração, repito logo a ecografia. Se não houver alterações, faço-a daqui a 6 meses.

Saio, a pensar no quão felizarda sou por ter um médico bom, como profissional e como pessoa, e tento ligar-Lhe para Lhe contar.
Não consigo falar com Ele, volto para casa, acabo de arrumar as tralhas e ponho-me a caminho da minha casa.

No caminho, Ele liga-me.
Sinto-O cansado e stressado, e pergunto se podemos falar sobre o assunto pelo qual não pude ficar além de Domingo.
Ele diz que sim e eu conto-Lhe o que se passou.
Ele escuta-me atentamente e no final, diz-me. “Para a próxima, quero saber na hora o que se passa contigo...”



Eu “reclamo” que não queria que fossemos dois a sofrer por antecipação, mas prometo-Lhe que não tornarei a omitir nada dessas coisas.
Conversamos mais um pouco e desligamos.
A atitude Dele deixa-me aconchegada e mimada, e faço o resto do caminho com uma sensação de leveza em mim.


.......


E quando chego a casa, começo a escrever este pequeno diário do que foram estes dias.
Com a esperança que possa ser uma chamada de atenção para as minhas leitoras, as minhas amigas e familiares, para que não descurem as idas ao ginecologista, ou a palpação mamária.

Porque nem todas temos a sorte de ter algo beningno...
E morrem cerca de 1500 mulheres por ano, em Portugal, devido ao cancro da mama...

Aqui entre nós... Não queiram fazer parte da estatística, sim?...
Apalpem as maminhas ou ide ao médico...
E isto também é válido para os homens, pois cerca de 1% dos casos de cancro da mama em Portugal, ocorre nos homens, sabiam?...







[Lhasa de Sela, falecida aos 37 anos com cancro da mama.]

terça-feira, 12 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 12

Dia 12 – Terça feira


Saio antes do almoço e vou tratar dos exames.
Chego antes da hora e espero um pouco.
Na minha hora, chamam-me, e faço a ficha.
Mas depois ainda tenho de esperar um pouco.

Finalmente, lá me chamam para a mamografia.
Dão-me uma bata azul para vestir e mandam-me tirar toda a roupa da cintura para cima, e eu assim faço.
Fico à espera numa segunda sala, com mais mulheres de bata azul, até ser chamada.
Digo à técnica que é a primeira vez, se ela me pode explicar o procedimento.

Apesar de ser um exame um pouco desconfortável e doloroso (esborracharem-me as maminhas entre duas placas não tem grande piada, é verdade), o certo é que a técnica é muito meiga e amável, explica-me tudinho e chegamos a brincar com a minha resposta à pergunta dela sobre se eu poderia estar grávida.
“Só se for por obra e graça...”, respondo, e ela ri-se e comenta que poderia ser uma segunda Virgem Maria.

A seguir à mamografia, aguardo mais um pouco, na mesma sala, pela chamada pela médica para fazer a ecografia mamária.

Quando me chamam, deito-me e a médica começa a perguntar o motivo pelo qual tinha ido lá.
Respondo-lhe que tinha dado conta dum “berlinde” no peito e ela achou piada à resposta. Disse-lhe que era redondinho, móvel e lisinho, por isso parecia um berlinde.

Ela procede ao exame e vai-me dizendo o que vai encontrando.
Segundo a mamografia e com a confirmação da ecografia, o que tenho é um fibroadenoma.
Não faço ideia o que isso seja, mas pela pinta do nome, não há-de ser assim tão “pacífico”.
“Coisas que acabam em “oma” não costumam ser boas”, penso, lembrando-me de linfoma.

Pergunto-lhe o que é e na conversa, surge a resposta a isso e a outras dúvidas.
Um fibroadenoma são tumores benignos, que não costumam degenerar em malignos, não regridem por si sós, não têm ritmo de crescimento igual, pois depende das pessoas, têm de ser vigiados com regularidade (ela recomendou nova ecografia daqui a 6 meses) e podem, ou não, ser tirados.

Na continuidade do exame, mede-se o “berlinde” (tem cerca de 2,5 cm de diâmetro e 1,4 de altura) e encontram-se mais alguns, mais pequenos.

Saio de lá com o conhecimento que tenho 2, talvez 3, fibroadenomas no seio direito, e mais 2 no seio esquerdo, mas bem mais pequenos que o “berlinde”.

Vou embora e ligo ao meu médico. Ele não me pode atender hoje e falamos um pouco, e combinamos que amanhã falamos sobre os exames.
Volto para casa e procuro na net alguma informação, que vai confirmar o que a médica disse, e que é uma situação bem comum nas mulheres entre os 20 e os 30 anos, e que depende das alterações hormonais.

Decido não dizer nada aos meus pais (para não os afligir desnecessariamente), apenas aos meus irmãos e amigos, para alertar as meninas para não se baldarem.

Conto à minha irmã, que me diz que a minha Mãe está convencida que tanto mistério é por causa dum “namorado secreto”.
Mantenho a decisão de não lhe contar nada: em 1º lugar, porque ela iria ficar preocupada na mesma e sinto-a demasiado frágil para isso; em 2º lugar, porque se precisar de andar com mais “segredos”, ela não ficará a pensar nos motivos nem a “fritar” com esse assunto.

Penso em contar-Lhe, mas não surge a oportunidade e decido deixar para depois de falar com o médico, no dia seguinte.

Estou mais descansada, embora não completamente segura.
É que ter tumores, benignos ou não, não tem assim muita piada, certo?...

A Sétima

Há 3 anos atrás, estava eu num trabalho em que tinha de estar com diferentes pessoas, ao longo do dia.


A cada pessoa com quem estava, dizia:


"A minha irmã foi para o Hospital ter a 7ª minha sobrinha, por isso, quando nascer, vou-me embora, esteja ou não tudo feito, e se não estiver, volto cá noutro dia."


As pessoas sorriam perante o meu entusiasmo, eram compreensivas e desejavam-nos boa sorte e felicidades.


A certa altura, mesmo no fim dum dos trabalhos, recebo o telefonema a dizer que a garota tinha nascido.

De cesariana, e estavam ambas bem.


Um pouco mais de 3kg, quase meio metro de gente, saudável. :)


Despeço-me do senhor, vou a casa, tomo um banho, arranco para o Hospital e, cerca de 3h depois de ela nascer, tinha a garota nos meus braços.


"É linda!", disse-lhes, babadíssima, "e tem cara de safada!... Vocês ponham-se a pau que esta miúda há-de ser fresca!..."


E hoje, passados 3 anitos, a Sétima continua linda... e safadita!...

É uma garota meiga e teimosa, muito senhora do seu nariz, orgulhosa, inteligente, atenta, alegre, marota, risonha, brincalhona, que adora bolas, animais, "ajudar" na cozinha, trepar-me para o colo e assumir que eu sou só dela... ;)


Por isso hoje...

Este post é para ela!

Parabéns, minha pequenina! :)




segunda-feira, 11 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 11

Dia 11 – Segunda-feira.


Acordo cedíssimo, apesar de me ter deitado tarde.
O Sol nascente entra pela janela e acorda-me.
Sem ninguém dar conta, saio de casa antes das 8 da amnhã e vou para o Centro de Saúde.

É uma aventura por si só.
Já há uma série de pessoas à espera, ainda nem são 8h e o atendimento só começa às 9h.
Às 8:30, abrem a porta e distribuem senhas numeradas, não sem haver algumas “peixeiradas” de pessoas que se julgam à frente umas das outras.
Eu fiquei com o n.º 30.
Na sala de espera, dou continuidade a um livro que trouxe para me entreter.

Às 10:30h, mando uma sms à minha mãe a dizer que saí cedo e que não sei se almoço em casa. Ela responde, também por sms, que julgava que eu estava a dormir.
A troca de mensagens com ela, faz-me rir, pois ela age como se eu estivesse num qualquer “date” secreto.

Às 11:30h, avisam-nos que não vão atender mais ninguém de manhã, e que os números após o 26, serão atendidos à tarde, a partir das 14h.

Vou para casa, almoço com a minha mãe e saio de novo, sem dizer onde vou.

Continuo a ler, na sala de espera, até que, por volta das 15h, sou atendida.
A médica é gentil e simpática, explico-lhe que preciso das credenciais, aproveito e peço-lhe mais umas para os meus exames de rotina.
Se puder, tão cedo não irei ao Centro de Saúde, que aquilo é um tormento de espera, e percebo que a culpa é do sistema, e não dos médicos nem das recepcionistas.
Ela passa-me os documentos e vou embora.

Vou ter com uma amiga e passo parte da tarde com ela.
Já nos conhecemos desde pequenitas, desde a Primária, e é sempre um prazer poder estar com ela.

O serão passa-se bem, com uma troca de sms com Ele.
A certa altura, quebro na força e só me apetece enroscar-me no colo Dele.

Às vezes, a distância é mesmo lixada...

domingo, 10 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 10

Dia 10 – Domingo


Hoje vou embora.
Não me apetece ir. Porque estou de férias, porque quero estar com Ele, porque quero estar mais com o meu irmão e a minha cunhada.
Mas tenho de ir, porque não posso, nem devo, adiar esta questão.

Ele vem-me buscar para irmos almoçar e ficou de me levar, mais tarde, à estação dos comboios.

Vamos até a um sítio muito bonito, passeamos um pouco, tiro algumas fotos.
Acabamos por ficar numa esplanada, e almoçamos.
Conversamos, trocamos beijos, mimos, sorrisos.

De vez em quando, os meus pensamentos tristes ensombram-me o momento. Tento não pensar nisso, mas é difícil, quase impossível.


A certa altura, vejo as horas no relógio Dele.
Já são quase horas de ir embora, e a tristeza abate-se sobre mim.
Ele nota.
E percebe perfeitamente que o meu estado de espírito se deve ao aproximar da hora da partida.
Tenho lágrimas nos olhos, o queixo a tremer e tento não olhar para Ele, sequer.
Não quero que me veja chorar.
Ele aperta-me mais a mão e brinca um pouco comigo.
Engulo as lágrimas, domino a tremura, e dou graças a Deus por estar ali com Ele.
Aconteça o que acontecer...

Foi um bom dia e adorei poder estar com Ele...

Na estação, perco o comboio previsto, pois disse-Lhe que não queria ir a correr e que podia ir no seguinte.
Vamos até à linha, calmamente, e abraçamo-nos.
Ele detesta despedidas, eu também.
Não quero ir embora, não quero sair de ao pé Dele.

Ele vai-se embora um pouco contrariado por me deixar sozinha, pois já tinha coisas marcadas devido à previsão de eu ir no comboio anterior.

Eu não tenho problemas em ficar sozinha na estação, assim como assim, tenho mesmo de me ir embora.
Sopro-lhe beijos enquanto Ele se afasta, tentando não chorar à frente Dele.
Ele brinca com os meus beijos soprados e sopra-mos também, até sair do meu campo de visão.

Sento-me no banco, olho para “nenhures” e desta vez, discretamente, verto algumas lágrimas.

Não me apetece ir embora, decididamente.

sábado, 9 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 9

Dia 9 – Sábado


Saio com o meu irmão e vamos almoçar ao shopping.
Decidimo-nos por um restaurante de comida asiática, em estilo de rodízio.
Depois, vamos ao viveiro de plantas aromáticas dum conhecido meu, conversamos um pouco, tiro umas fotografias, e vamos à praia.

Gosto da praia.

Gosto de andar nas rochas a tirar fotografias, e acabo sentada numa rocha, com os pés na água.
Quando era garota, passava imenso tempo a ver as poças, e a vida dentro das poças.
Agora, as poças têm menos vida, mas tenho uma máquina fotográfica que me permite guardar estas visões para além da minha memória.

A tarde está deliciosa, e tenho pena que Ele não esteja ali comigo.

E que o meu irmão prefira estar na areia que vir até àquele cantinho de paraíso, onde estou sentada.

E deixo-me estar, a respirar o ar puro do mar, a sentir a frescura da água, a deliciar-me com mais um dia de férias, a tentar não pensar em quase nada, a tentar abstrair-me...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 8

Dia 8 – Sexta-feira


De manhã, aproveito a ausência momentânea do meu irmão e procuro os contactos das clínicas que o meu médico me recomendou.
Ligo e consigo marcar numa para a próxima sexta.
Ligo para outra e consigo marcar para terça-feira.
Desmarco a de sexta.

Ligo-Lhe, mas ele não atende.
Mando-Lhe uma sms a dizer que tenho de ir embora no Domingo, e não na Segunda ou na Terça, como inicialmente previsto.

Fico triste.

Queria estar mais tempo com Ele; mais vezes, com Ele.
Quero dizer-Lhe o motivo de não poder ficar, mas não o faço.
Não Lhe direi: “Tenho de ir mais cedo para tentar ir ao Centro de Saúde na segunda-feira, para conseguir as credenciais para uns exames que vou fazer na Terça-feira a um caroço no peito.”.

Ele responde que vai reagendar o Domingo para estar comigo.

À tarde, estou com uma amiga, uma grávida linda.
Adoro estar com ela, com a família dela, e surgem aqueles pensamentos acerca do Tempo.


Quando não temos Tempo para as coisas mesmo importantes.
Quando precisamos de Tempo, para ter bebés, para ver crescer, para viver, para amar...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 7

Dia 7 – Quinta feira


Vou de comboio.
Falo ao telefone com uma das minhas amigas, que me diz que, seja o que for, a parte psicológica é muito importante.
Claro que me assusta se tiver algo maligno. Mas assusta-me mais NÃO SABER o que tenho.
Sempre fui assim: a partir do momento em que sei contra o que luto, preparo as armas e vou prá guerra. A minha teimosia há-de servir para alguma coisa, certo?...

Por isso, vou sossegada, serena, expectante com a ideia de estar com Ele.
Tenho muitas saudades Dele.

A minha pele ainda revela borbulhitas, o meu cabelo não gostou das mudanças de águas, não me sinto “perfeita”.


Um testamento imaginário vai-se desenhando na minha mente, e penso como é engraçado que, apesar de ter tão pouco, não gostaria que as minhas coisas se perdessem. A parte difícil é distribuir os livros, que são bastantes, e de diferentes temas.


A minha outra amiga, que sabe das coisas, chama-me “parva” pelo tipo de pensamentos, e eu reconheço que é “cedo” para pensar nisso, mas na verdade, independentemente de tudo, os meus herdeiros legais são os meus pais, pois nunca fiz testamento de coisa alguma, e talvez devesse fazer.

Tenho esses pensamentos, misturados entre outros, que vão e vêm na minha mente. Os receios, as dúvidas, os aspectos práticos da minha morte (e a morte não deixa de ser o que temos de mais certo na vida), a perspectiva de sofrimento e a lembrança da coragem da minha tia Zi, lutadora até ao fim..
Mas acima de tudo, só consigo pensar que, haja o que houver, hoje vou estar com Ele...

Chego.
Desencontramo-nos na saída da estação.
Até que O vejo.
“Lindo...”, penso, e sorrio.
Ele aproxima-se e eu estico os braços.
Abraçamo-nos, e neste abraço em que me afundo, sinto a segurança do mimo Dele, e a dúvida do “Até quando?... Até quando e quantas vezes mais, terei este abraço?...”

Vamos dar uma volta, e num bar na praia, durante a conversa, Ele menciona uma amiga a quem lhe surgira um cancro no peito.
Olho para Ele, para o rosto preocupado Dele e penso: “Não, não vou mesmo falar nisto enquanto não souber o que se passa.”

De tempos a tempos, a olhar o rosto Dele, a olhá-Lo, sinto o medo a querer dominar:
“E se não tivermos mais dias destes?...”

Mas Ele dá-me a mão, abraça-me, beija-me, e eu afasto o medo, afugentando-o com sorrisos e trocas de mimos...

Mais tarde, usufruo da companhia do meu irmão e da minha cunhada.


Também tinha muitas saudades deles e penso na estupidez que é, por vezes, “não termos tempo” para estarmos com quem queremos...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 6

Dia 6 – Quarta feira


É hoje que vou embora.
Sozinha, num carro sem AC (e com um calor terrível) nem rádio...
Vai ser uma aventura!

Falo com algumas pessoas pelo caminho, mas vou a maior parte do tempo em silêncio, a morrer de calor.
E a apreciar o belíssimo Alentejo, a apreciar as pequenas grandes coisas...
O céu, as pastagens, os animais...

Após umas horas de viagem (recusei ir pela Autoestrada porque simplesmente acho mais entediante), chego.

Falei com Ele pelo caminho, e combinámos o encontro de amanhã.
Receio o que o meu médico me diga, receio que não possa ir ter com Ele amanhã.
E continuo sem querer dizer-Lhe o que se passa. Nem a Ele, nem a mais ninguém.

Chego ao parque de estacionamento ao pé do consultório, e aviso o meu irmão que ainda devo demorar uns 10 minutos, mas que já cheguei.
Mas havia gente e demoro quase uma hora e meia até ser atendida.

O meu médico escuta-me, conversamos e depois, faz-me a palpação.
Acabamos por baptizar o nódulo de “berlinde”, porque a sensação é que é redondinho, liso e move-se por baixo da pele.
O meu médico diz que não lhe parece ser nada maligno, mas vamos fazer uns exames: mamografia e ecografia mamária.

Pondero a situação. Amanhã é feriado e haverá quem faça ponte.
Preciso de ir ao Centro de Saúde para ter as credenciais, mas aquilo deve estar a “meio gás”.
Como ele se reformou, já não tenho médico de família atribuído, e preciso de uma consulta de recurso, mas farei os exames mesmo que tenha de os pagar integralmente.

Amanhã vou estar com Ele. E não quero deixar de estar com Ele.

Decidimos que, na sexta-feira, ligo a marcar os exames. E na próxima semana, tento ir ao Centro de Saúde.

Despeço-me do meu médico, que me acalma e diz para não me preocupar, que vai correr tudo bem e que duvida que seja algo maligno.

Chego a casa com lágrimas nos olhos, e o meu irmão repara mas apenas pergunta, discreto: “Estás bem?”. Não respondo directamente e peço-lhe desculpa pelo atraso.

Ao jantarmos, sinto-me melhor e rimos e conversamos.

Não estou propriamente descansada, nem assustada, apenas com a noção de que ainda não está tudo resolvido e ainda tenho que esperar mais.

O Exercício de Paciência continua.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 5

Dia 5 – Terça-feira.
A pele está quase boa.
Amanhã vou embora.

Ligo ao meu médico, a saber se estará por lá amanhã.
Conto-lhe o que se passa e ele diz-me para, quando chegar, passar por lá que me atende.

Vamos à praia, à tarde.
Vou ao mar, e enquanto boio, penso na sensação leve, na vontade de me deixar ir...
Mas a sensação não é duradoura, e a Vida chama-me à Terra e “acordo” da descontracção.
O banho é optimo, o Sol maravilhoso e saio revigorada e com mais força.
Esperançosa.

Tiro umas fotos, que Lhe mando.
Ele gosta.
E estas nossas pequenas grandes interacções aquecem-me a Alma...

E fazem-me desejar ainda mais que esteja tudo bem, que haja um "Amanhã" sereno e saudável...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 4

Dia 4 – Segunda-feira


Mais do mesmo.
A pele melhor.
O caroço na mesma.
Os pensamentos.
A análise, a observação das coisas que me rodeiam, como se as estivesse a ver pela 1ª vez. Ou pela última vez.

Abraço o meu Pai.
Mimo a minha Mãe.

Talvez um dia, um de nós não esteja cá, e não haverá oportunidade para nos abraçarmos e mimarmos.

Mimo-O.
Ele mima-me também.

Distraio-me com tudo o que posso (incluindo começar a fazer um vestido!!!), para não dar força às dúvidas e aos medos.
E funciona.

É um exercício de paciência e creio estar a ser bem sucedida.

domingo, 3 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 3

Dia 3 – Domingo


Passa-se mais um dia, com mais do mesmo.
O caroço que não muda, que não desaparece.
Os pensamentos que me assolam, acerca do historial de família, das dúvidas, dos receios.
As saudades Dele
.

Apenas a pele está melhor.
Ao fim da tarde, vou até à praia.

E em tudo o que observo, penso na nossa pequenez no Universo, em sermos apenas um grão de areia.
Num instante, somos saudáveis e rimos e temos a vida toda pela frente.
Noutro instante, podemos já cá não estar.

E por vezes, perdemos tempo com zangas e tretas e chatices, quando deviamos dar graças por estarmos cá.
E por vezes, alimentamos tristezas e rancores, quando temos mais motivos para ser felizes.

E dei comigo, a olhar para tudo e a pensar que há coisas com que não vale a pena perder Tempo, porque o Tempo, sendo eterno, vai-se gastando em cada minuto e não o podemos recuperar...


Tempo mal gasto, não é devolvido...

sábado, 2 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 2

Dia 2 – Sábado

Passo o dia com sono, talvez devido à alergia. Vagueio pela net, vendo o que já vi, tentando não pensar demais, o que é dificil.
De vez em quando, apalpo o caroço.

A ver se ainda está lá, se mudou, se passou.
Continua lá, sem alterações.

Comento com outra amiga o meu receio e decido que não vou contar mesmo a mais ninguém, enquanto não souber o que é.

Vou à praia ao final do dia, mas nem me exponho ao Sol. A pele “não quer” Sol nem que me besunte com mais nada além de creme de calêndula “home made”.
Tento distrair-me.
Leio, e entro noutro mundo que não o meu.

Mas quando páro de me distrair... Os pensamentos voltam.
Tenho uns poucos de “SE”s na minha cabeça.

SE não é um gânglio inchado.
SE não desincha.
SE tenho de ser operada.
SE é maligno.

E mesmo fechando a mente aos “SE”s e ao medo, eles estão lá.

À noite, sinto ainda mais a ausência Dele e o quanto me apetecia estar nos Seus braços.
E envio-Lhe uma sms antes de deitar, a “pedir” um beijo.
Adormeço logo de seguida.

Cerca de uma hora e meia depois, a resposta Dele acorda-me dum sonho parvo qualquer, e enche-me de mimo.
Respondo-Lhe, deliciada, e adormeço de novo, com a sensação da presença Dele, de estar aninhada Nele...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Diário das Minhas Maminhas - 1

Dia 1 – sexta-feira

Os exageros no jantar de ontem quase me fizeram vomitar durante a noite. Não vomitei, mas como tenho uma pele da treta, tudo (mas mesmo TUDO) o que me acontece, revela-se na pele.
Durante o dia, surgem-me umas borbulhinhas no peito, daquelas estilo reacção alérgica.
“Fuck...”, penso, “estar na praia com uma alergia na pele não tem graça nenhuma...”

Decido não ir à praia, tive um dia agitado q.b. e estou com preguiça.

À noite, sento-me ao computador, comichosa, mas sem sinais de febre nem nada demais.

A comichão faz-me coçar a pele, numas borbulhitas entre o mamilo direito e a axila.

“Qu’é esta merda?...”, penso, intrigada e desconfiada.

Sinto um caroço no peito.
Apalpo-o, mas não é impressão.
Está lá, um caroço, uma coisa qualquer arredondada e dura, no meu seio direito.

Fico apreensiva.
Poderá ser um gânglio, claro, resultante de uma qualquer reacção à alergia.
Poderá não ser.

Vagueio pela net à procura de mapas de gânglios e referências aos mesmos.
Desabafo a minha apreensão apenas com uma amiga, na net.
Não vou falar nisto com quase ninguém enquanto não souber o que é, para ninguém sofrer por antecipação.

Não entro em pânico, mas também não desdenho a importância do mesmo.
O meu avô paterno morreu de cancro no estômago, a minha tia Zi, de cancro nos intestinos, e a minha irmã mais velha, teve um sinal que se alterou e foi descoberto mesmo a tempo, antes de se tornar maligno.

Penso na parte prática das coisas: não estou na minha terra, não tenho o médico de família por perto, não vou ao hospital sem saber se isto incha ou desincha.

Chamo-me “estúpida” 500 mil vezes, porque tenho ido todos os anos à ginecologista e no ano passado, não fui.
Porque não tive oportunidade, porque não tinha tempo, e o tempo foi passando...
Tenho um esquema de palpação das mamas na casa-de-banho e nunca o fiz, todo direitinho...
E estou aqui, 2 anos depois da última visita à médica, a pensar em como sou estúpida, com um caroço no peito.


Os próximos dias, vão ser um exercício de paciência.
A paciência NÃO É a minha melhor virtude...

Ver se se altera, ver se passa.
Não me deixar dominar pelo medo.

Mas sinto um aperto no coração, um aperto que “fecho” para não o deixar ser grande demais.
O que quer que seja, será diagnosticado e será devidamente tratado.

Porque sou teimosa, e aflige-me mais “não saber” do que “saber e ir à luta”.

Antes de deitar, após todas as navegações pela net, após “fechar o medo” para não o deixar ser um monstro, sinto uma quebra no ânimo, sinto-me pequenina e frágil, e uma vontade enorme de mimo.

Sinto a ausência Dele, a quase um país de distância.
Mas não deixo transparecê-lo, e envio-Lhe uma sms com mimo, a desejar-Lhe boa noite, não revelando que algo se passa comigo.

Basta uma pessoa a sofrer por antecipação e nem a isso me permito.