sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Diário das Minhas Maminhas - 18

A recuperação
Passo uns dias meia enjoada da cabeça, e fiquei sem perceber se foi da anestesia ou do cansaço que já tinha antes da operação.
Quando mudo o penso, faço uma reacção alérgica aos adesivos (teoricamente hipoalergénicos...), o que não teve muita piada, confesso.
Acabo por ir às Urgências, e tive a sorte do meu médico estar lá nesse dia.
Viu-me, fez um pensinho novo com outro tipo de material, e fiquei a usar apenas o adesivo do soro, que a esse não faço reacção.
Os dias foram passando, e 8 dias depois, tirei os pontos.
Mais uns dias para a ferida sarar completamente, e fiquei com uma cicatriz pequena e rosada, em forma de lua, no peito.
Entretanto, sentia uma espécie de caroço no sítio do fibroadenoma e disseram-me para ir massajando com um creme, pois era uma fibrose resultante da operação.
O creme aconselhado tinha vaselina e parafina e sei lá mais o quê, e como eu ando "com a mania" que não quero produtos derivados do petróleo, usei apenas outros cremes hidratantes para massajar.
No entanto, essa fibrose demorava a desaparecer, tendo apenas desaparecido quando andei de mochila às costas, no Verão...
Em jeito de pequeno milagre...
Mas isso é outra história... ;)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Diário das Minhas Maminhas - 17

A Operação

Pedem-me para estar cedo no Hospital, e eu assim faço, às 9.30, tendo apenas tomado um pequeno almoço às 7h, se bem me lembro.
Chego, tratam-se das papeladas, mostram-me o quarto e arrumo as minhas coisas.
Mandam-me tomar banho, e eu protestei porque já tinha tomado em casa, mas pronto, lá fui eu de novo ao banho.
Após o banho, vesti uma bata "sexy"... Que deixava ver o rabiosque se não tivesse cuidado. :P
 
Passado um bocadinho, enfiam-me uma agulha nas veias a deitar soro... O que achei interessante, pois sempre quis saber qual era a sensação de ser alimentada assim... [Giro para fazer uma vez por outra, um tédio se for obrigatório todos os dias... Logo eu que gosto de comer e saborear a comidinha e os petisquinhos e as gulodices...]
 
Ando ali a flautinar, acompanhada pelo meu Querido, o dia todo, até me chamarem para o bloco operatório, ao fim da tarde.
Lá vou eu, de boleia numa maca, sempre bem disposta e, sinceramente, nada nervosa.
 
Entretanto, fico numa ante-sala do bloco, e dão-me algo para "me acalmar"... Acalmou-me tanto que fiquei a dormir uma hora, pelo menos...lol
Acordo, e pergunto que horas são e se demoro a ser operada.
"Ainda falta um pouco", diz a enfermeira, "houve uma emergência e o bloco está ocupado".
 
Fico sossegadinha a ver as pessoas dum lado pro outro, até que me levam para o bloco: uma sala fria, cheia de luz, com o médico lá.
Gente bem-disposta, a trocarem umas piadas entre eles.
 
O anestesiologista coloca-me uma máscara e pergunto o que é, uma vez que pedira anestesia local e não geral.
Responde-me que era Oxigénio, o que duvidei, e pede-me para fazer uma contagem. Ao número 3, apaguei.
Quando acordei, estava no recobro. Bem disposta, sem dores, descansada, nem parecia que tinha sido operada.
Pedi para ir urinar, e disseram-me que tinha de ser com arrastadeira e que não podia andar de pé, o que não achei muita piada, mas sentei-me, para grande espanto delas, que olharam para mim como se fosse cair para o lado a qualquer momento.
Depois, fiquei um pouco a descansar, até me virem dizer que o meu Querido estava quase a partir tudo pois não sabia nada de mim desde que eu tinha saído de ao pé dele, o que tinha sido há já 4 horas (é natural, tinham-lhe dito que era coisa rápida, de 2 horitas no máximo, mas ele não sabia que eu tinha ficado a dormir a sesta antes da operação).
Ele veio para ao pé de mim e depois foram-me por ao quarto, onde estavam mais duas senhoras.
A noite foi serena, tirando acordar com fome e com vontade de ir urinar outra vez, eram umas 6 da manhã.
As enfermeiras de serviço deixaram-me ir à wc, com o carrinho de soro atrás, e ofereceram-me umas bolachas, para aguentar até ao pequeno-almoço.
Perto das 8, veio o pequeno-almoço, e depois fiquei a dormir mais um pouco.
Durante a manhã, tiraram-me o soro, o médico veio ver-me e tive alta.
 
A seguir, fiquei em recuperação...
 
Considero que fui muito bem recebida e atendida por todos, no Hospital, fossem as pessoas da parte administrativa, as auxiliares, as enfermeiras ou a equipe médica.
E sim, era um Hospital público, e só tenho a dizer bem de quem cuidou de mim.
[Só a parte de não terem dito nada ao meu Querido é que não correu muito bem...]
 
 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Diário das Minhas Maminhas - 16

Aos "não sei quantos" dias depois de ter descoberto que tinha um fibroadenoma "grande", mas benigno, venho contar-vos o resto da história... Um resumo, digamos assim. :)
Cerca de 7 meses depois, marquei novos exames para ver se havia alterações.
Fui ao Centro de Saúde, passaram-me as credenciais, e fiz os exames no mesmo laboratório, e pela mesma médica.
Não tinha havido alterações de maior, mas a opinião do médico do Centro de Saúde era a mesma que a minha: é grande, é para tirar antes que altere com uma eventual gravidez.
Passa o meu processo para o Hospital, e cerca de um mês depois, tenho uma consulta com o médico senologista.
Gostei muito daquele médico, que me passa mais uns exames (de sangue, ECG, raio-X), os quais consegui fazer no próprio dia.
Marcou-se uma consulta com o médico anestesiologista, e uma segunda com o médico senologista.
Passado cerca de quinze dias, marcaram-me o anestesiologista para o início do mês e o senologista para o fim do mês.
A consulta com o anestesiologista correu muito bem, e passado uns dias ligaram-me a desmarcar a consulta com o senologista, que estava doente.
Passado uns tempos, soube que a doença era séria e remarcaram-me para outro médico, que me atendeu e recebeu também muito bem.
Vistos os exames, fiquei marcada para cirurgia.

Algum tempo depois, a minha mãe liga-me a dizer que tinha recebido uma carta do Serviço Nacional de Saúde, em como eu seria atendida antes de... meados de Janeiro de 2013...
Fiquei absolutamente "esclarecida", para organizar a minha vida, as férias, etc, com aquela carta, como podem calcular.

No dia seguinte, recebo um telefonema do Hospital... A perguntarem se eu tinha disponibilidade para ser operada... dali a 8 dias.
Fiquei surpreendida, no mínimo, mas pedi esclarecimentos à senhora que me ligou, mencionando-lhe a carta recebida no dia anterior.

Disse que isso era um protocolo do SNS, que eu não me preocupasse e tornou a perguntar se eu tinha disponibilidade para a operação.
"Claro que sim!", respondi, e andei uma semana à lufa-lufa para deixar tudo organizado, até porque estava numa fase de excesso de trabalho e preocupações.

Oito dias depois, dei entrada no Hospital...