Por vezes, precisamos de “descer” um pouco do nosso pedestal de "seres sábios" e aproximarmo-nos da Terra e dos "seres mais simples"...
Se formos suficientemente humildes, seremos agraciados com beleza e testemunhos de amor...
Desde há duas ou três semanas, que andamos todos, lá por casa, “histéricos” pelo que vos vou contar em seguida (estava a guardar esta história para outra altura, mas achei por bem, devido a outras “histórias” que andam aí, postar sobre isto agora).
Há uns 14 ou 15 anos atrás, apareceu-nos em casa um cão.
Vinha perdido, ou teria sido abandonado, pois foi na altura da caça.
Surgiu lá por casa (tal como outros cães antes dele) e o Caçula foi-lhe dando de comer às escondidas dos meus pais, pois cada vez que aparecia lá um cão, os meus pais arranjavam-lhe dono, para grande tristeza do meu irmão que os via ir embora.
Mas com este, mudou-se a opinião dos meus pais... O cão era um jovem adulto, com um pêlo cor de mel, amistoso, afável, amigo,
um verdadeiro rafeiro do mais lindo que há.
Além de ser um excelente cão de guarda, aprendeu num instante a reconhecer “o pessoal da casa”, de forma a que, pelo latido, já sabíamos quem vinha lá (e nós até somos uma família grande e já estavamos cada um no seu ponto do país, quase).
Assim, acabou por nos adoptar e nós a ele.
Andava à solta, mas sempre por perto.
Um dia, foi atropelado e ficou cego duma vista. Então, o meu pai decidiu arranjar uma corrente grande, para ele não ir para a estrada mas ter sempre onde andar e movimentar-se. Ou então, pegávamos na trela e passeávamos com ele (à volta, havia campo e coelhos e saca-rabos).
Depois, mudámos de casa, e ele recomeçou a andar solto na vizinhança.
Foi novamente atropelado e, creio eu, devido a isso, uma noite mordiscou o rabo do “lixoman”. O senhor fez queixa (natural...), resolvemos bem as coisas com ele e, a partir daí, ele andava solto no nosso quintal e com trela fora dele (porque se não andasse com trela, teria de andar açaimado, e como ele e o cão da vizinha eram rivais no bairro, não podia andar sem se defender!).

E os anos foram passando.
O nosso cão está velhote, meio surdo, meio cego, já não tem a energia que tinha, mas continua a ladrar antes de me ver, cada vez que me sente entrar no portão, em jeito de boas vindas.
É o nosso cão, e nós somos os humanos dele.
Há uns tempos atrás, o Caçula (creio que existe um qualquer radar especial ou um sistema de comunicação dos cães - e dos gatos - que reconhecem o Caçula como um amigo) encontrou uma cadela, num sítio relativamente longe de nossa casa.
Um ou dois dias depois, a mesma cadela surgiu lá por casa. Um pouco medrosa, mas muito meiguinha.
Ia comer a comida do nosso cão e ele nem se importava. Dormia perto dele, andava pelo jardim, saía do pátio mas voltava.
Apercebemo-nos que estava prenha.
A minha mãe foi de férias uns dias, e quando voltou, notou que a cadelita já não estava com a barriga inchada. E que continuava a comer toda a comida do nosso cão, e que se escondia.
E ouviram uns latidos fraquinhos. :D
A minha mãe e o Caçula procuraram e encontraram o ninho que ela arranjara para os filhotes. Escondido debaixo duma varanda baixinha que dá para o jardim.
Ficaram todos contentes e o Caçula conseguiu ver 4.
A minha mãe começou a fazer ainda mais comida para a bichinha, que comia e ia para junto dos filhotes.
De vez em quando, saía e regressava, e andava sempre atrás da minha mãe e do meu irmão.
Há dias, a minha mãe ligou-me, toda contente e animada, a dizer que afinal, eram 7!!!
E estava encantada, que eram lindos e que a cadela comia muito mas que eles estavam gordinhos.
Ela encantada, e eu toda “invejosa” de ainda não ter visto os puppies. :p
Este fim-de-semana, fui a casa. E depois, afastei um dos tijolos que esconde o ninho, perante o olhar um pouco receoso da cadelita e...
Peguei em dois, os mais curiosos e afoitos, e eu e o Nº3 estivémos a brincar e a tirar algumas fotos.


Acabei por me deitar no chão, deliciada a namorar os bebés, que brincavam, depois mamaram, e depois brincaram um pouco e adormeceram. Dois deles são mais curiosos, e são todos lindos!!!!


Hoje, recebi uma mensagem da minha mãe e afinal... São 8!!!
(Experimentem lá contar os rabitos...)Perante isto, e depois de ter visto aquele blog criado para apoiar aquela causa terrível da “
Esterilização Obrigatória”, só pergunto:
Acham que todos os cães abandonados permanecem abandonados????
Acreditam que estes cachorrinhos, que nem sequer eram “nossos”, vão ser abandonados??
Acreditam que a cadelita não tinha o direito de ser mãe só porque
alguém a pode achar indigna, por ser rafeira???
Mas quem somos NÓS, para decidir eliminar a beleza da mistura de raças?
Quem somos NÓS, para decidir que TODOS OS CÃES E GATOS DE COMPANHIA deverão ser esterilizados?????
Este assunto põe-me doente, juro...
HAJA HUMILDADE!!!!
Portanto, venho repetir o que já disse o Bruno Fehr:
NÃO À ESTERILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA!!!
E peço-vos que visitem tanto o post do Bruno (muito bem estruturado e fundamentado, na minha opinião) como o da Esterilização Obrigatória (grrrrr....) e digam de vossa justiça.
Vamos tentar arranjar casa para todos os cachorritos e se não conseguirmos, ficarão conosco!
E acreditam que ainda houvesse quem nos dissesse que devíamos matar alguns???
Fico ainda mais doente...
Nem que os alimente a biberon, chiça!!! Agora, matá-los?!?!?!?
Não, nem matava nem deixava matar!
Gente parva!...Bem... Mas digam lá, não são lindos?? :D
PS - Já agora, leiam este post, a continuação do 1º, sobre este tema, do Bruno Fehr: http://so-me-apetece-cobrir.blogspot.com/2009/06/nao-esterilizacao-obrigatoria-dos.html