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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O 560 e a Marca

Na sequência dos textos "Compro o que é Nosso", neste blog, venho simplesmente mandar uns bitaites (ou eventualmente, fornecer alguma informação útil), acerca da questão do Código de Barras que começa em "560".

Como temos visto nos emails que nos vão mandando acerca de comprar o que é nosso, vai-se lembrando que o que é nosso, tem um código de barras a começar por 560.

Tal informação é... Errada? Certa?
Eu diria: INCOMPLETA.

De facto, o Código de Barras 560..., refere-se ao embalamento, e não à produção propriamente dita.

O que não deixa de ter o seu valor, pois o facto dos produtos serem embalados CÁ significa que são empresas portuguesas, trabalhadores portugueses, a ganhar com isso.
[Também há produtos embalados CÁ e vendidos CÁ que não têm esse código, mas isso é outra conversa...]

Agora o problema é: e como é que eu sei se o produto é, ou não, PORTUGUÊS?

Infelizmente, os rótulos dos produtos alimentares nem sempre têm toda a informação necessária (para não dizer "exigida"), mas, na maior parte das vezes, dá para perceber a origem.

Os que eu mais detesto são aqueles que dizem "Produzido na U.E.".

É uma informação vaga, que nada me diz a não ser que foi feito na União Europeia. Não sei por quem, nem em que condições, nem... nada.

Depois, há aqueles que dizem: "Produzido em "Nome de País"", o que já é uma ajudinha.

Depois, há aqueles que podem ter, ou não, "Produzido por", mas têm o nome do fabricante, e respectiva morada, o que é excelente.

E depois, há aqueles que dizem "Produzido para".

Ora bem, para bom entendedor, "Produzido POR", ou "Produzido PARA", são duas coisas absolutamente distintas.

Ou seja... E agora? Como distinguir esses produtos?

Aqui, safa-nos a legislação que obriga os produtos de ORIGEM ANIMAL (ovos, lacticínios, carnes, peixes, marisco, e respectivas conservas) a terem uma marca especial.
Essa marca pode ser apenas "Marca de Identificação", e tem as duas letras referentes ao país de produção. No nosso caso: PT.
Ou então, pode ser uma "Marca de Salubridade", que também tem as duas letras do país de produção.

E por essa marca, conseguimos distinguir a origem dos nossos alimentos, pelo menos os de ORIGEM ANIMAL.

Como exemplo, trouxe-vos umas conservas de peixe/marisco.
Duas latas de Atum "Santa Catarina" (Posta em Azeite e Posta ao Natural), uma de Sardinhas em Tomate "ALVA", uma de Sardinhas em Azeite "Pingo Doce", e Lulas em Caldeirada "Pitéu".

(clicar nas imagens para aumentar)







Em relação aos códigos de barra destes produtos, aqui estão eles:


(Em cima, à esquerda: Atum Santa Catarina; em baixo, à esquerda: Lulas Pitéu; à direita: Sardinhas Pingo Doce.)

Como podem ver, todos começam em "560".

Em relação à informação sobre a produção, temos:

(em cima, Sardinhas Alva; em baixo: Lulas Pitéu.)

Aqui, vemos a diferença de toda a informação do Fabricante "A Poveira", assim como todos os dados de contacto, contra a "Produzido PARA", das Lulas Pitéu.
(Note-se que em Inglês está "Packed for" = "Embalado por")
Já o Atum "Santa Catarina" tem logo na frente da embalagem que é um Produto dos Açores, ao invés da Sardinha Pingo Doce que não tem nenhuma menção à origem.

Finalmente, observemos a Marca de Identificação/Salubridade:

(Da esquerda para a direita: Atum Santa Catarina; Sardinhas Alva; Sardinhas Pingo Doce, Lulas Pitéu).

Como podemos ver, os primeiros três produtos são de origem PORTUGUESA, enquanto que o último foi produzido em Espanha.

Não "desfazendo" em Nuestros Hermanos... Eu gosto de saber o que compro, o que consumo, e a sua proveniência.
E se puder comprar produto português, não compro produto estrangeiro.

Em relação aos Produtos de Origem Animal, temos, com a "Marca", uma ferramenta fácil para distinguir a sua proveniência.
Em relação aos Produtos de Origem Vegetal, temos de ir acreditando no que vemos nas plaquinhas dos hipermercados (nem sempre correctas), ou nalgumas embalagens ou caixas.
Mas é muito mais complicado, especialmente no que se refere a alimentos processados.

Aguardemos a melhoria dos rótulos e da legislação respectiva... Bem como das entidades certificadoras e fiscalizadoras...


Para saber um pouco mais:
http://www.tequalim.pt/img/marcas_salubridade_identificacao.pdf

sábado, 28 de maio de 2011

Não é Amanhã... É HOJE!



Porque HOJE já comemos, respiramos, bebemos...
Porque HOJE, algumas pessoas ainda não perceberam que a comida não nasce nos supermercados, e é preciso mais do que ter dinheiro para comprar, é preciso ter QUEM PRODUZA!
Porque HOJE, ainda há quem pense ser vergonhoso trabalhar a terra, ou arriscar a vida no mar.

Porque HOJE... A agricultura é essencial à nossa vida, tal como será sempre no futuro, e tal como é desde sempre, desde que a Raça Humana deixou de ser apenas colectora e caçadora...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Caganitas de Ovelha para vocês também!!!!

Meus caros leitores, como referi no último post, vou falar um pouco de produtos portugueses que conheço e que entendo merecerem ser apreciados devidamente.

Hoje, tenho para vocês, algo que me surpreendeu positivamente pela inovação e pela qualidade, num destes dias.

(Rufem os tambores, devagarinho...)
E o produto de hoje é...

(Rufem os tambores mais rápido)

Caganitas de Ovelha!!!!!!!!

(Tchan-an!!!)

E claro que estais a torcer o nariz, a fazer cara feia, mas eu explico:
(Claro que ia explicar, claro...)

"Caganitas de ovelha" é o nome que Jorge Silva, uma pessoa simpatiquíssima e de excelente humor, deu a uns belíssimos queijinhos de ovelha que é ele quem faz, na Tapada das Sortes, em Alcains (distrito de Castelo Branco).

As ditas "Caganitas de Ovelha" são amanteigadas, cremosas e não pude comprar nenhuma porque esgotaram num ápice. :(

MAS...

(Não viria de mãos a abanar, certo?...)

Pude comprar "A Outra Caganita", que são os referidos queijinhos, mas na versão curada. São divinais...
(Já estou a salivar só de lembrar...)

E também comprei o "Chocalhinho", que é um queijinho de cabra que... mnham..........

Quero salientar que, apesar de não ter visto a queijaria a não ser numas fotos nuns posts aí pela blogosfera, sinto que os queijinhos estavam "bem feitos", em termos higiénicos, e que o produtor me pareceu muito cuidadoso.
Também tenho a dizer que não achei os queijinhos caros, principalmente comparando com queijos que se encontram nos hipermercados e que não são nem tão saborosos, nem tão bons.

Deixo-vos com as imagens e com o contacto do referido produtor, e não se esqueçam...
Comprem o que é nosso! :D


Queijinhos embrulhados (até a etiqueta é gira!)



Queijinhos desembrulhados


Queijinhos cortados



"A Outra Caganita"



"Chocalhinho"


Para saber um pouco mais:
http://www.imprensaregional.com.pt/reconquista/pagina/edicao/90/15/noticia-arquivo/9294

Contacto:
Tapada das Sortes, Queijaria Artesanal; Estrada Nacional 18, Alcains
919 361 072 (Jorge Silva)







domingo, 15 de maio de 2011

Compro o que é nosso - 1


Não sei se já tiveram oportunidade de ler ou saber alguma coisa sobre o Projecto "Compro o que é nosso", acerca da valorização e preferência dadas a produtos portugueses.
Não querendo pôr aqui tudo o que podeis saber visitando a página: http://www.compronosso.pt/

deixo, no entanto, apenas um resumo:

"A Associação Empresarial de Portugal, ciente de que os problemas económicos do país só se resolvem criando riqueza e trabalho, lança uma campanha de sensibilização para o consumo de produtos e marcas que contribuem para criar Valor Acrescentado em Portugal, com a assinatura “COMPRO o que é nosso”. O objectivo deste projecto é criar um novo estado de espírito na sociedade portuguesa, valorizando a produção nacional, a criatividade, o empreendorismo, o trabalho, o esforço e a determinação. O projecto visa também elevar a auto-estima de empresários e trabalhadores mobilizando-os para produzirem melhor e acreditarem que podem vencer o desafio da globalização."

Com tudo o que se fala de crise, e com tudo o que se fala acerca de economia, venho, também, chamar a atenção para os factores sociais e ecológicos.
Sociais, na medida em que ao comprarmos produtos portugueses, estamos a criar riqueza no nosso país, riqueza essa para produtores e trabalhadores portugueses que, por sua vez, contribuem para a riqueza de todos nós, pagam impostos, pagam segurança social "nossa".
E também na medida em que não ficamos dependentes de factores nem de entidades externas. Com todo o respeito que tenho pelos produtores e trabalhadores estrangeiros (mesmo os "estrangeiros da U.E."), o certo é que ficarmos (mais) dependentes a nível alimentar, principalmente, traduzir-se-á em graves problemas sociais, e já se fala em Fome, portanto...

Além da parte social (e tanto se poderia falar sobre isto, ainda), temos a questão ecológica.
Em primeiro lugar, não é difícil fazer contas: gasta-se mais petróleo a trazer um produto, qualquer que seja, de outro país.
Em segundo lugar, a nível dos produtos agrícolas, as nossas exigências ambientais conseguem ser superiores às da legislação europeia. E isso traduz-se tanto na aplicação de fertilizantes, como de pesticidas. Não é preciso ir muito longe (temos Espanha e França logo aqui ao lado) para se ver, por exemplo, que é permitida a utilização de insecticidas para as frutas e legumes que não são permitidos no nosso país por serem tóxicos para o ambiente, para o aplicador e para o consumidor. No entanto, essa mesma fruta e esses mesmos legumes vêm parar à nossa mesa...

Por outro lado, todos nós, como consumidores, já deparámos várias vezes com prateleiras nos hipermercados cheias de produtos estrangeiros, e não portugueses, mesmo nos frescos, e até já ouvimos "que os produtores portugueses não produzem a quantidade necessária...". Meus amigos... Tanto poderia ainda dizer sobre isso, mas hoje não me vou "esticar" por aí...
A questão é que, se aprendermos a consumir correctamente, podemos recusarmo-nos a comprar os produtos alimentares que existem fora da nossa época normal de produção, e podemos e devemos exigir mais produtos portugueses. Até porque sei, de fonte segura, que os hipermercados fazem "finca-pé" para pagar pouquíssimo aos produtores nacionais, chegando a fazer "chantagem" com os mesmos, não lhes comprando os produtos a um preço justo e preferindo comprar mais caro no estrangeiro, só para ter os nossos produtores na mão... (Mais tarde falarei melhor sobre algumas destas situações).

Com isto tudo, venho dizer-vos que pretendo, dentro da minha disponibilidade, tempo e conhecimentos, escrever uns posts sobre produtos portugueses, estejam ou não referenciados no projecto "Compro o que é nosso", mas que serão, sem dúvida produtos feitos em Portugal, por empresas Portuguesas!
(Sim, que também há empresas cá que só vêm ocupar espaço e ficar com o nosso dinheiro, pois têm isenção de impostos e trazem os seus próprios trabalhadores...)

Para já, desejo-vos um Bom Domingo... :)