sábado, 6 de junho de 2015

2 Dias

Dizem que a Vida são dois dias, e um já passou.

Hoje, para um amigo, passaram os dois. Num minuto.

Com 40 anos apenas, sem sequer estar doente, sem ser por acidente, a luz dele apagou-se. Num instante.

Quão terrível é isso?

Quão terrível é percebermos a fugacidade da nossa existência, a nossa insignificância?

Quão terrível é saber que ficaram palavras por dizer, emoções por sentir, vivências por experimentar, porque a Ceifeira surgiu sem pré-aviso?

Quão terrível é saber que ele partiu, num almoço de família, à frente dos pais, dos irmãos e dos sobrinhos pequenos?

Quão injusto é esta situação?

Hoje, choro por ti, R. Q.. 
Porque, não sendo tua íntima, eras íntimo duma grande amiga minha, que ainda está em choque.
Porque me lembro da tua simpatia, da tua inteligência e das brincadeiras, num Setembro, em Celorico da Beira e em Linhares.
Porque acho injusto para com a tua família.
Porque acho injusto para ti.
Porque, hoje, me lembraste outro Amigo, esse mais íntimo, que partiu e a quem nunca quis dizer "Adeus", pois nunca quis acreditar que nunca mais o veria.

Para todos os efeitos, estás em Madrid, ou em Lisboa, ou em Tondela, ou... whatever.
Foste de viagem e, um dia, voltas.

Até à vista, R. Q..
Descansa em Paz.

:(



segunda-feira, 25 de maio de 2015

Últimas leituras

Nesta última semana, para desviciar do computador (e porque ele e eu estamos a precisar de reforma: a minha, antecipada, e a dele, tardia), andei a ler.

Li "Smilla e os Mistérios da Neve", de Peter Hoeg, oferecido por uma amiga nos meus anos.
Não foi uma leitura fácil. 
Há expressões e modos culturais que me custaram apreender. 
Há imensas referências matemáticas, na cabeça de Smilla. 
Há tanta neve, tanto gelo e tanto frio, que seria incapaz de ler este livro, no Inverno, sem ficar gelada. 
Mas achei este policial muito bom, com a personagem de Smilla muito elaborada, e com uma visão do mundo muito interessante. Tão bom que fiquei com vontade de ver o filme, a ver se não desilude.


Em seguida, li outro policial/romance, "Criança Desaparecida", de Patricia MacDonald. 
Apreciei especialmente a abordagem, ou a nota de atenção, que a autora faz ao facto de, no caso de crianças desaparecidas, os pais não biológicos são, usualmente, vistos de forma mais suspeita que os pais biológicos. Neste caso, a madrasta. 
No entanto, com as coisas que lemos e sabemos hoje em dia, acerca de muitos pais biológicos, tenho pena que isto ainda possa acontecer... Principalmente quando a maioria das mães adoptivas são mães tão interessadas e amam tanto os seus filhos como se os tivessem carregado no ventre.

Finalmente, li "Encantamento", de Alice Hoffman. 
Muito fácil de ler, é uma abordagem à Santa Inquisição Espanhola, visto pelos olhos de uma jovem de 16 anos que nem sabia que era judia, e vê a família a ser destruída pela inveja e cobiça alheia. Mas também fica a saber o que é o Amor, a amizade e o respeito pela diferença. 
Neste conto, a Mãe dela dizia que as lágrimas eram azuis...
É um conto algo triste, mas que prende pela sua beleza e simplicidade.

Hoje, não sei qual vai ser a minha leitura nocturna... Hummm... Tenho ali um caixote cheio de livros por ler, e mais uns quantos no sótão... Yupiiiiiiii :D


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Quanto custa mudar uma lâmpada

Sou uma "artista". 
De circo, a maior parte das vezes... :P
Agora a sério, sou uma gaja desenrascada. Que, se conseguir fazer, não espera que outros façam.

Ontem, a lâmpada do plafond da casa-de-banho estava fundida. E eu proponho-me substituí-la.

Subo a uma cadeira, retiro o plafond, retiro a lâmpada estragada.
Tudo normal, sem stress.

Mais tarde, de lâmpada LED novinha na mão, subo à mesma cadeira, e coloco-a no casquilho.
Tudo normal, sem stress.

Salto da cadeira e vou buscar o plafond. Subo a cadeira, mas não consigo encaixar o plafond, falta-me "espaço de manobra", e tenho de ter os braços noutra posição para conseguir encaixá-lo.

Não tenho nenhuma escada a jeito... Então, vou buscar um banco.
Banco em cima da cadeira; trepo a cadeira, trepo o banco, coloco o plafond.
Fico orgulhosa de mim mesma, do jeitinho que tenho para estas tralhas.
Tão orgulhosa, que me esqueço que estou em cima do banco em cima da cadeira.
E mando o pé e a perna para trás, como se estivesse apenas a descer a cadeira...
Falta-me o chão, onde deveria estar...
Caio, bato com os braços, as costas e o rabo na ombreira da porta e no poliban, quase torço um tornozelo.
O banco cai, com barulho.

A minha Mãe pergunta o que foi, lá de dentro da cozinha, ao que eu respondo com um "Nada, foi só o banco que caiu...", enquanto esfrego as zonas doridas.
Dói-me tudo, do semi-esbardalhanço. 
Até os melhores artistas se magoam, mas fico um bocado a maldizer a minha cabeça, por me ter esquecido que estava em cima do banco em cima da cadeira.

Custo de mudar a lâmpada: umas dores, 3 euros a lâmpada nova, um benuron antes de deitar e dois Adalgur N ao levantar... :P






terça-feira, 11 de novembro de 2014

12,6 km...

... 36 minutos e 325 calorias depois... Na minha 2ª volta na bicla estática...

Estou cheia de calor.................... :P

E (ainda) não me dói o rabo!!! :D

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Dói-me o rabo...

... Porque, esta semana, comprei uma bicicleta estática, montei-a ontem e já pedalei uns 20 kms, nuns 40 minutos, no esforço menor... :P [Estou desabituada!!!]

Mas gastei 300 calorias, o que é bom, tendo em conta que, ontem, me fartei de comer "porcarias"*... ;)

Aqui está a foto da "bicla":


É simples, o mais baratinha possível, que isto é só para me exercitar sem sair de casa, no Inverno... Que está friiiiiiioooo...

E aproveitei a "pedalada" para rever parte do filme "O Júri". :)





Bom fim-de-semana!!! :D


*PS: "porcarias" = hambúrguer no pão, batatas fritas, molho maionese, refrigerante e amendoins fritos com mel...

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Tarte de Amêndoa (ou Tarte de Santiago)

Receita experimentada a semana passada, para levar um docinho para o fim-de-semana:

Precisa-se de:
4 ovos
250 gramas de açúcar em pó
250 gramas de farinha de amêndoa
raspa de um limão

Como eu não tinha limão  nem laranja, usei um pouquinho de licor de amêndoa amarga.
Como não quis usar só açúcar em pó, usei antes açúcar amarelo e branco, e só usei o açúcar em pó para enfeitar.

Misturei os 4 ovos bem batidos com o açúcar e, depois, com a farinha de amêndoa.
Levei ao forno a 180ºC (acho eu que estava a 180ºC...) durante uns 40 minutos, em forma untada com manteiga.

Ficou fofinha e deliciosa. :)

Uma receita a repetir, sem dúvida!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Tive um fim-de-semana...

... Tão Bom, mas tãããããão boooooom mesmo, que nem me apetecia regressar ao trabalho... :P

Quem diria?... ;)


[Edit:] Se quiserem saber porquê, vejam na caixa de comentários deste post... :)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

OGMs, Transgénicos, Híbridos e Afins

Porque este tema tem surgido nalgumas conversas, aqui vai:

Um OGM é um Organismo Geneticamente Modificado.
Isso significa que o seu código genético original foi alterado/manipulado, com vista a realçar ou inibir determinada característica.

Exemplo: 
"Graisin" - são passas de uva (raisins) cujo código foi manipulado para ficarem gigantescas (giant raisins).


Um Transgénico É um OGM, em que houve a introdução, no código genético original, de segmentos de genes de OUTRO organismo.

Exemplo: 
Milho Bt - introduziu-se os genes duma bactéria (Bacillus thurigiensis) no genoma do milho, com a intenção de tornar esse milho mais resistente ao ataque de lagartas, sensíveis a essa bactéria.


Um Híbrido é o cruzamento genético  de duas espécies distintas.  O cruzamento pode ser natural, ou artificial, se os seres não coexistirem no mesmo espaço geográfico/temporal que o permita. O híbrido pode ser fértil, ou não.

Exemplos: 
Mula/Mu (E. caballus x E. asinus)- é o cruzamento de uma égua ou cavalo (Equus caballus - 64 cromossomas) com um burro ou burra (Eqquus africanus asinus - 62 cromossomas). Por norma, são estéreis, devido ao seu número de cromossomas ser ímpar (63 cromossomas).

Laranja (Citrus x sinensis) - é o cruzamento da Cimboa ou pomelo (Citrus maxima) com a tangerina (Citrus reticulata). É fértil, embora os descendentes resultantes de sementes possam ter características diferentes da planta-mãe.


Já a Variedade ou Casta, do ponto de vista comum, é a denominação dada ao conjunto de diferenças de indivíduos da mesma  espécie.

Exemplo: 
Castas de videiras (Vitis vinifera) como a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alvarinho, Moscatel.


Do ponto de vista genético, Variedade é o conjunto de indivíduos que se distinguem de outros conjuntos de indivíduos da mesma espécie, em algumas características, apesar de não se distinguirem o suficiente para serem considerados uma espécie diferente, e que se podem cruzar livremente entre si. Passam a ter 3 nomes, podendo ser colocada a expressão "var." ou "spp." (subespécie) entre o 2º e o 3º nome.

Exemplos: 
Lobo - Canis lupus
Cão (subespécie de lobo) - Canis lupus familiaris

Couves - Brassica oleracea
Couve-galega - Brassica oleracea var. acephala
Couve-repolho - Brassica oleracea var. capitata
Couve-flor - Brassica oleracea var. botrytis

Se forem selecções de plantas cultivadas, recebe o nome de "cultivar" e o nome aparece entre aspas.

Exemplos:
Rosa "White Fairy"
Batata - Solanum tuberosum "Agria"
Tomate - Solanum lycopersicum "Coração de boi"



Conclusão:
Todos os Transgénicos são OGM mas nem todos os OGM são transgénicos.
Os Híbridos e as Variedades podem ser de origem natural, sem qualquer "ajuda humana", ou serem artificiais com a "ajuda humana", tanto em termos geográficos ou temporais, como pela selecção de variedades, que fazem prevalecer certas características de interesse humano.


Espero que tenham ficado esclarecidos com esta simplificação de um tema tão vasto... :)
Em caso de dúvida, têm o email e a caixa de comentários.

Beijinhos! :)


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

11 Anos de Namoro com uma Gaja fixe :)

Passei por aqui só para anunciar umas coisinhas:

Hoje, eu e a Coccinellita fazemos 11 anos que nos conhecemos. :) Uma Amizade que nasceu suavemente, é simples, bela como cristal,  e forte como aço.

Vamos festejar como gostamos: vamos jantar juntas, só nós duas, e ficamos na converseta até nos actualizarmos. :D

A vida profissional "separou-nos", e não a vejo com a frequência que gostaria, e como os nossos horários de trabalho são um bocadinho desfasados, além de andarmos mais "ocupadas" na nossa vidinha emocional, já não temos tido as nossas maratonas telefónicas do costume, mas...

Ela está sempre no meu coração... :)

Parabéns a nós, miúda! :)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A idolatração da mediocridade


De há uns anos para cá, temos sido confrontados com cenas que, para pessoas inteligentes que (alguns de nós) somos, raiam o absurdo, o estranho e, acima de tudo, o medíocre.

Levamos (quem assiste, não é o meu caso) com programas de "entretenimento" que se designam por programas culturais mas que de culturais e cultura não têm nada, onde ganha(m) quem se porta pior, quem é mais burro, quem faz escândalo e peixeiradas.

Vemos revistas a venderem (desesperadamente, creio eu, para não irem ao charco pela falta de leitores sérios e a sério) capas de fofocas e mexericos e tretas da vida pessoal de figuras, mais ou menos públicas, mais ou menos púdicas.

Estupidificam-se as pessoas para que fiquem sossegadas... 

Acalma-se o rebanho, para que não se revoltem contra o pastor desatento, e se deixem comer pelos lobos que vigiam as vítimas...

"Pão e circo", já se dava na Antiga Roma, para entreter as pessoas e não haver reclamações acerca da Política, da Vida, de tudo.


Não deixa de ser caricato, mas mais do que caricato, não deixa de ser muito triste que alguns vídeos do youtube se tornem virais por serem tão maus (caso recente do estranho vídeo "Vai Anna, Go Anna", publicado há cerca de 3 meses por uma tal de Anna Santiago que ninguém conhece, que nos últimos dois dias atingiu as 340 000 visualizações, e que é um caso gritante de mau gosto e, até, de incentivo ao p*tedo) e que trabalhos excelentes de artistas portugueses (e estrangeiros) estejam por apreciar e partilhar dignamente... 

Como reflexo da apreciação pelo mórbido e da idolatração da mediocridade, estes números reflectem ainda a falta de cultura em que vivemos...

O "engraçado" nisto tudo, é que o que se vê na TV (seja em reality shows, sejam em novelas) passa a ser "permitido", pois já alguém o fez impunemente. Tratam-se mal as pessoas, é-se malcriado, brejeiro, absurdo, ladrão, ..., e aparece-se nas TVs e nas revistas a ganhar dinheiro... É assustador...

Começamos a ter gerações que desrespeitam o trabalho honesto, a educação, o civismo, as diferenças, e acima de tudo, a ter gerações sem nenhuma base de valores morais e com uma cultura tão básica que até dói, em troca do facilitismo e dos "15 minutos de fama" a que muitos aspiram...

Hoje, só para contrariar a tendência "youtubiana" de visualizações extraordinárias em coisas que não prestam, deixo-vos com dois vídeos de músicas que aprecio e que ainda não atingiram as 100 000 visualizações... 








Espero que gostem! :)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Carta

24 de Janeiro de 2014


Querida tia Zi:

Sinto a tua falta...
Ultimamente, lembrei-me tanto de ti, duma forma inexplicável, e de diferentes formas...
Lembrei-me no Natal, por causa do Natal em que tiveste de ir para o Hospital, para ser operada de urgência.
Lembrei-me ao ver as fotos de família, naqueles Natais em que éramos tantos, todos nós, e tios e primos e avó, e brincávamos e era sempre um Natal cheio de gente e deliciosa confusão...
Lembrei-me quando fui ver a Nº 7, que "ficou" com o teu carro, que tu tanto estimavas...
(Não a viste nascer, mas ficou um bocadinho de ti com ela...)

E lembrei-me mais recentemente, quando uma amiga teve de ir a Coimbra, chamada pela Liga Portuguesa Contra o Cancro.
A tua cidade, onde viveste os últimos anos, onde sofreste todo o teu drama, onde viveste a tua guerra.

E hoje, hoje que farias anos (77! Bonito número!), ela foi para Coimbra de novo, e sei que ela está assustada, pela indefinição das coisas, pelos exames que tem para fazer, pelo resultado desses mesmos exames... Pelo caminho que tem pela frente e que ainda nem sabe como vai trilhar... Pela guerra que tem pela frente e ainda não sabe que armas vai ter de usar...

E lembrei-me de ti o dia todo, lembrei-me dela o dia todo, e peço-te, Tia, onde quer que estejas, peço-te uma prenda, a ti que fazes anos...
Vela por ela, reza por ela, empresta-lhe um pouquinho da tua força...
Sim?

Obrigada, Tia...

Até qualquer dia, num qualquer lugar...

Beijinhos, com saudade...




sexta-feira, 31 de maio de 2013

Um passo...

... após outro...

Um toque, uma volta, um girar suave...

Mais um passo...
E outro...

Em movimentos suaves, delicados como uma borboleta, ela dança...

A música que escolheu para hoje, é especial...

Delicada, como ela, ecoa na sala de grandes janelas envidraçadas que mostram o rio sob o luar.

E ela dança.

Suave...
Borboleta...
Anjo...
Leve, como que feita de penas macias e pó de estrelas...

[Vestiu-se para Ele, esta noite... Para Ele a ver dançar...]

Um passo, e outro, gira sobre si mesma, os braços levantados e as mãos a desenhar magias na sala escura...

Um passo...
Após outro...
Um toque, uma volta, um girar suave...

A música que lhe enche a Alma, enquanto dança...

[Vestiu-se para Ele, esta noite... Para Ele a ver dançar... Mas ele não vem.]

Um passo, ainda outro, gestos suaves que começam a ser tristes...
Uma lágrima que escorre na face, em fuga lenta...

A música acaba, as últimas notas perdem-se na noite...

[Ele não veio.]

E ela termina a dança, despindo a roupa que vestira para Ele, que não viera...
Deita-se suavemente no chão, os olhos plenos de lágrimas silenciosas...

A música acabara, a dança terminara...
Para Sempre...




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O meu cão foi para o Céu


O meu cão chama-se D. ou antes, o cão do meu irmão Caçula chamava-se D.
Estava connosco há 17 anos, já estava cego dum olho, por ter sido atropelado, já estava surdo, por causa da idade, e já resistira a um cancro junto da cauda que o fez passar por 3 operações, deixando sempre a veterinária espantada com a sua resistência e vontade de viver.
O meu cão chama-se D. e agora está no Céu.

Esta sexta-feira, quando cheguei a casa da minha Mãe, já bastante tarde, ela contou-me que o Caçula tinha encontrado o D. à chuva, a sofrer uma convulsão ou um ataque epilético, e que tinha estado a tratar dele.
Fiquei apreensiva e desci ao quintal, onde encontrei o D. num abrigo, imóvel, de olhos abertos sem expressão, e a respirar ruidosamente, com dificuldade.
Ajoelhei-me ao pé dele e comecei a fazer-lhe festas, e apercebi-me que ele tinha encharcado, de novo, as mantas secas que o meu irmão lhe tinha posto por cima.
Chamei o Caçula e pedi-lhe ajuda para fazermos uma cama nova, seca, mesmo sabendo que ele poderia sujar tudo, pois estava doente dos intestinos.
O meu mano trouxe mais mantas, e pegou no D., que não se mexia, nem reagia... Parecia em coma.
Colocámos protecção por baixo, as mantas secas por cima, e fiquei de novo a fazer-lhe festinhas.
De coração pequenino e lágrimas nos olhos.

O meu irmão disse-me, numa voz de quem me queria preparar: "Olha que ele não deve aguentar muito mais, se calhar não passa desta noite..."
E eu respondi: "Sim, mas se partir, ao menos que parta o mais confortável possível..."

E deixei-me estar junto dele, a fazer-lhe festinhas...
Ainda se agitou, e o Caçula avisou-me que ele poderia abocanhar-me sem querer, mas tal não aconteceu.
Este cão nunca, mas nunca mesmo, me magoou, nem mesmo sem querer.

Entretanto, o Caçula foi tratar doutros assuntos com o meu N.º 1 e eu fiquei sozinha com o D.

Senti-me tão triste, e doía-me vê-lo assim, a sofrer... Comecei a fazer-lhe reiki, e a rezar. 

E agradeci-lhe, agradeci-lhe toda a companhia e protecção que nos deu estes anos todos, desde que apareceu, num Outono há 17 anos atrás, talvez perdido, talvez abandonado.
Agradeci-lhe ter-nos adoptado, pois assumiu-se como nosso guardião, e protegeu-nos sempre... Num instante, ainda antes de ser oficialmente adoptado, ficou a conhecer os carros todos da casa, e ladrava de forma diferente em função de quem se aproximava e nós sabíamos sempre quem estava a chegar.

Agradeci-lhe todos os cuidados, as brincadeiras, os passeios, e enquanto falava com ele, e lhe fazia festas, senti que ele acalmou e adormeceu, com a respiração mais regular, embora parecesse constipado.

Rezei.
Rezei para que Deus acabasse com o sofrimento dele e o levasse para o Céu enquanto dormia, e de preferência que sonhasse que era cachorro de novo e andasse aos saltos no meio das ervas a perseguir pássaros e borboletas e coelhos.

Deixei-me estar mais um bocado a mimá-lo, até que fui cear, deixando-o a dormir.
Após a ceia, e antes de ir com o meu Músico para a nossa casinha, tive de ir vê-lo de novo.
Dormia... Calmo, sereno, quentinho.

Na manhã seguinte, liguei à minha Mãe a perguntar se já tinha ido ver do D. Ela confessou que ainda não tinha tido coragem, pois receava encontrá-lo morto, mas que o Caçula o tinha ido ver de madrugada e ele dormia.
Disse-me que já me dizia alguma coisa.

Passado um pouco, recebi uma SMS dela a dizer que o D. estava morto.

Chorei, pois este cão não era um cão qualquer, pelo menos para mim.
Foi o meu primeiro cão ou, de certa forma, o único. Nunca tive um cão, e na verdade, este cão era do Caçula, e não "meu" ou "nosso", mas continuo a achar que foi ele que nos adoptou e nos quis para família dele.
Era um cão inteligente e meigo, brincalhão e esperto, com um lindo pêlo cor de avelã e os olhos castanhos e doces.
Só implicava com o cão da vizinha, e com alguns gatos que se atreviam a provocá-lo; e um dia mordiscou o rabo dum senhor que se atravessou à frente dele, numa noite. [O senhor não sofreu nada de muito grave, só umas calças rotas e dois buraquinhos na pele, que ele só estava a "avisar" que não era sítio para andar ali... ;) ]
Até as minhas irmãs e as minhas sobrinhas, menos dadas a animais, gostavam dele e não passavam sem "ir fazer uma festinha ao D.".

Liguei à minha Mãe, que me disse que ele parecia dormir, de tão sereno que estava, e ela teve de lhe tocar para se certificar que ele já tinha partido.
Gostei de saber disso, que a partida fora serena...

Mas tenho saudades do meu D. ... :(

Sei que um dia o tornarei a ver, que estará à nossa espera do Outro Lado, para nos acarinhar e receber.
E espero que, onde quer que ele esteja agora, haja pássaros e borboletas para perseguir aos saltos no meio das ervas...

Descansa em Paz...



terça-feira, 26 de junho de 2012

Há um certo cheiro a sexo...

... no ar...

É quente, masculino, viril, e mistura-se com outro cheiro mais doce, mais feminino, a mel...

O ar está carregado com esses odores, o calor quase os torna opressivos, as abelhas zumbem, atarefadas, e as pessoas sentem, quase inconscientemente, que algo diferente se passa...

É Verão...

Os Castanheiros e as Tílias estão em flor...

sábado, 24 de março de 2012

Cara linda

Ontem, chamaram-me "cara linda" tantas vezes, que até fiquei convencida que era verdade... :P


Bom Sábado! ;)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Dança...

... comigo...

:)





Let's dance little stranger
Show me secret sins
Love can be like bondage
Seduce me once again

Burning like an angel
Who has heaven in reprieve
Burning like the voodoo man
With devils on his sleeve

Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility

Like an apparition
You don't seem real at all
Like a premonition
Of curses on my soul

The way I want to love you
Well it could be against the law

I've seen you in a thousand minds
You've made the angels fall

Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility

Come on little stranger
There's only one last dance
Soon the music's over
Let's give it one more chance

Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility

Take a chance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility

domingo, 19 de fevereiro de 2012

What Life is For?...



WHAT LIFE IS FOR

A million stars up in the sky
We watch them live, we watch them die
Now who can tell how this will be?
Now are we fools when we believe?

So listen

I never felt like this before
And I feel no guilt for wanting more
I’ll take all my chances here with you
And I can tell you feel it too


So let’s not hide it, I won’t hide it anymore
Who knows what life is for?

So take my hand
We’ll make this happen
It’s real, I’m in love with you

And then you stepped out of my screen
I’m awake inside my dream
Tears roll backwards to the light
A rush of love, I feel alive

So listen

I’m in the back waiting for you
And I can tell you feel it too
So let’s not hide it, I won’t hide it anymore
Who knows what life is for?

So take my hand
We’ll make this happen

It’s real, I’m in love with you

A million stars up in the sky
Now can you tell me which one am I?

I never felt like this before
And my heart keeps wanting more

Then let’s not hide it, I won’t hide it anymore
Who knows what life is for?

So take my hand
We’ll make this happen
It’s real, I’m in love with you

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Jurei...

... ser Eu...
O Teu Luar...
Brilhar, só Eu...
No Teu Olhar...



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Um Momento...

... Pode fazer toda a diferença...




R.I.P. Whitney Houston...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Bolinhos de Côco

Mais uma receita de "família"...

Super simples de fazer e, na minha opinião, são os melhores bolinhos de côco que conheço...

Só são precisas forminhas de papel Nº5, 200 gr de côco ralado, 200 gr de açúcar (amarelo ou branco), e 3 ovos grandes ou 4 ovos médios, para não ficar mole demais.

Mistura-se muito bem o côco com o açúcar e os ovos inteiros.
Coloca-se nas forminhas de papel e leva-se ao forno até cozerem e ficarem douradinhos.

Simples e eficaz e rende cerca de 30 bolinhos. :)

domingo, 29 de janeiro de 2012

Pudim de Abacaxi

Esta é uma receita "de família", que consumimos desde que me conheço como gente., e ideal para o tempo mais quente.

Partilho-a convosco, hoje, porque é uma forma de a ter "eternizada" e dando-vos a garantia de que é... Deliciosa! :)

O seu aspecto invulgar deve-se à gelatina vermelha, mas quem entender, pode usar gelatina branca, e o pudim fica com uma cor amarela clara.

A receita é simples:
1 Abacaxi de 1,25 kg
1 chávena de açúcar branco
Meia chávena de água
6 folhas de gelatina branca
2 folhas de gelatina vermelha
8 claras
8 colheres de sopa de açúcar branco

Nota: pode-se substituir o abacaxi por uma lata grande de ananás em calda e as folhas de gelatina podem ser todas da mesma cor.

Coze-se o abacaxi arranjado e aos pedaços, com a chávena de açúcar e a meia chávena de água.
Deixa-se arrefecer um pouco e misturam-se as folhas de gelatina previamente demolhadas num pouco de água, até derreterem (se for com o ananás ainda muito quente, as gelatinas coloridas perdem a cor).
Deixa-se arrefecer completamente e mistura-se, devagar, as claras, previamente batidas em castelo com as 8 colheres de açúcar.
Verte-se para uma forma de pudim (não há necessidade de barrar) e leva-se ao congelador.
No dia seguinte, tira-se do congelador cerca de 2h antes de servir.




Com as gemas sobrantes, podem-se fazer "ovos moles": uma colher de açúcar e uma colher de água por cada gema.
Leva-se a água com o açúcar ao lume, até reduzir para metade, e juntam-se as gemas batidas, em fio.
Mistura-se bem, não deixando fazer grumos, até as gemas cozerem.
(Se fizer grumos... Passa-se com a varinha mágica! :P )

Podem-se usar os ovos moles para enfeitar o pudim...




Cá em casa... Adoramos! :)

sábado, 28 de janeiro de 2012

:)

Hoje, não posso estar contigo a partilhar este dia...

Mas como sempre, estás dentro do meu coração, e assim partilhamos o dia... :)

Hoje, não consegui entregar-te um miminho...
Tinha a intenção de... Mas tu sabes que hoje, não deu, e fiquei apenas com a intenção...

Hoje, fazes anos...
E por isso, colhi estas flores (na net) e dou-tas com mimo, com o desejo de muitos mais anos cheios de saúde e alegrias, de crescimento, de abundância de coisas boas...


Parabéns, garota :)


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O 560 e a Marca

Na sequência dos textos "Compro o que é Nosso", neste blog, venho simplesmente mandar uns bitaites (ou eventualmente, fornecer alguma informação útil), acerca da questão do Código de Barras que começa em "560".

Como temos visto nos emails que nos vão mandando acerca de comprar o que é nosso, vai-se lembrando que o que é nosso, tem um código de barras a começar por 560.

Tal informação é... Errada? Certa?
Eu diria: INCOMPLETA.

De facto, o Código de Barras 560..., refere-se ao embalamento, e não à produção propriamente dita.

O que não deixa de ter o seu valor, pois o facto dos produtos serem embalados CÁ significa que são empresas portuguesas, trabalhadores portugueses, a ganhar com isso.
[Também há produtos embalados CÁ e vendidos CÁ que não têm esse código, mas isso é outra conversa...]

Agora o problema é: e como é que eu sei se o produto é, ou não, PORTUGUÊS?

Infelizmente, os rótulos dos produtos alimentares nem sempre têm toda a informação necessária (para não dizer "exigida"), mas, na maior parte das vezes, dá para perceber a origem.

Os que eu mais detesto são aqueles que dizem "Produzido na U.E.".

É uma informação vaga, que nada me diz a não ser que foi feito na União Europeia. Não sei por quem, nem em que condições, nem... nada.

Depois, há aqueles que dizem: "Produzido em "Nome de País"", o que já é uma ajudinha.

Depois, há aqueles que podem ter, ou não, "Produzido por", mas têm o nome do fabricante, e respectiva morada, o que é excelente.

E depois, há aqueles que dizem "Produzido para".

Ora bem, para bom entendedor, "Produzido POR", ou "Produzido PARA", são duas coisas absolutamente distintas.

Ou seja... E agora? Como distinguir esses produtos?

Aqui, safa-nos a legislação que obriga os produtos de ORIGEM ANIMAL (ovos, lacticínios, carnes, peixes, marisco, e respectivas conservas) a terem uma marca especial.
Essa marca pode ser apenas "Marca de Identificação", e tem as duas letras referentes ao país de produção. No nosso caso: PT.
Ou então, pode ser uma "Marca de Salubridade", que também tem as duas letras do país de produção.

E por essa marca, conseguimos distinguir a origem dos nossos alimentos, pelo menos os de ORIGEM ANIMAL.

Como exemplo, trouxe-vos umas conservas de peixe/marisco.
Duas latas de Atum "Santa Catarina" (Posta em Azeite e Posta ao Natural), uma de Sardinhas em Tomate "ALVA", uma de Sardinhas em Azeite "Pingo Doce", e Lulas em Caldeirada "Pitéu".

(clicar nas imagens para aumentar)







Em relação aos códigos de barra destes produtos, aqui estão eles:


(Em cima, à esquerda: Atum Santa Catarina; em baixo, à esquerda: Lulas Pitéu; à direita: Sardinhas Pingo Doce.)

Como podem ver, todos começam em "560".

Em relação à informação sobre a produção, temos:

(em cima, Sardinhas Alva; em baixo: Lulas Pitéu.)

Aqui, vemos a diferença de toda a informação do Fabricante "A Poveira", assim como todos os dados de contacto, contra a "Produzido PARA", das Lulas Pitéu.
(Note-se que em Inglês está "Packed for" = "Embalado por")
Já o Atum "Santa Catarina" tem logo na frente da embalagem que é um Produto dos Açores, ao invés da Sardinha Pingo Doce que não tem nenhuma menção à origem.

Finalmente, observemos a Marca de Identificação/Salubridade:

(Da esquerda para a direita: Atum Santa Catarina; Sardinhas Alva; Sardinhas Pingo Doce, Lulas Pitéu).

Como podemos ver, os primeiros três produtos são de origem PORTUGUESA, enquanto que o último foi produzido em Espanha.

Não "desfazendo" em Nuestros Hermanos... Eu gosto de saber o que compro, o que consumo, e a sua proveniência.
E se puder comprar produto português, não compro produto estrangeiro.

Em relação aos Produtos de Origem Animal, temos, com a "Marca", uma ferramenta fácil para distinguir a sua proveniência.
Em relação aos Produtos de Origem Vegetal, temos de ir acreditando no que vemos nas plaquinhas dos hipermercados (nem sempre correctas), ou nalgumas embalagens ou caixas.
Mas é muito mais complicado, especialmente no que se refere a alimentos processados.

Aguardemos a melhoria dos rótulos e da legislação respectiva... Bem como das entidades certificadoras e fiscalizadoras...


Para saber um pouco mais:
http://www.tequalim.pt/img/marcas_salubridade_identificacao.pdf

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

E do Milho se fez...


... Pipocas!...



Há uns tempos atrás, comprei milho para pipocas numa feirinha de produtos regionais.
Era um milho miúdo, mas não resisti a comprá-lo, para mostrar à minha sobrinha nº7 como se fazem pipocas.

Chegadas a casa, arranjámos o tachinho mais velho que encontrámos e pusemos uma colher de óleo e um punhado de milho. Levámos o tacho ao lume e...
Passado um pouco, começámos a ouvir o pop-pop típico das pipocas.

A miúda, claro, disse: "Quero espreitar!...", e eu destapei um pouco o tachinho.
Para divertimento dela, uma pipoca saltou exactamente pela nesga e caiu-lhe à frente.

Lá deixámos as pipocas a fazer, e repetimos o processo.

Passado um bocadinho...
Já tínhamos as pipocas feitas e a garota a dizer:
"Vamos levar para a sala e fazer como no cinema..."

:D

É engraçado como de coisas tão simples se faz um entretém, e uma aprendizagem para os garotos... :)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Pés na Terra 2

A semana passada foi difícil.
Esta também não está a ser muito fácil...
Ultimamente, sinto-me desmotivada, "embruxada", cansada.
Desinspirada até de escrever e de fazer as coisas que gosto.

Ele é o carro a dar despesas, ele é as contas a aumentarem, ele é as mudanças no trabalho...
Uma série de coisinhas que não matam, mas moem...

E hoje, telefona-me a minha Mãe...

A dizer-me que a minha prima está, de novo, a ser operada por causa do tumor, que entretanto surgiu no pescoço... Ao qual foi operada na altura do Natal, mas que agora tem de ser intervencionada de novo devido a um problema na recuperação...
E cá estou eu, a rezar para que tudo lhe corra bem, e a pensar que os bens mais preciosos não são materiais...

Somos simples e leves grãos de areia nas dunas da Vida...